OS "BONS COSTUMES"
Ouvi uma entrevista com o candidato a governador de SP, Carlos Apolinário.
Ele dizia sobre seu descontentamento junto aos gays, que ele tinha tentado criar uma lei proibindo o "beijo gay" como vereador.
Em seus argumentos muito "bem desenvolvidos", ele dizia que se um casal gay quisesse se beijar, deveriam fazer isso "no hotel, motel, matinho..." mas não em um lugar público. Disse ainda que se ele estiver na piscina do prédio onde mora e um casal gay se beijar, ele não iria gostar.
Daí ele usou a expressão que justifica TUDO!
Ele estava apenas defendendo os "Bons Costumes"!
Engraçado, porque os conservadores e fanáticos religiosos acham que a expressão "bons costumes" significa alguma coisa?
No auge de todos os governos fascistas e ditaduras militares, expresões como "em defesa dos bons costumes" justificavam toda e qualquer repressão contra etnias, formas de arte, liberdade de expressão, raças, credos...
Para um nazista ser amigo de um judeu, cigano, ou comunista era um atentado aos "bons costumes". Para um chinês da Revolução Cultural comunista, ouvir jazz ou ópera era um atentado aos "bons costumes". Para um cidadão médio estadounidense de um estado mais "rural", falar sobre Karl Marx é um atentado aos "bons costumes". Tiradentes atentava contra os "bons costumes" de sua época...
Ou seja, tudo depende do ponto de vista. Quanto mais "verdades" extremamentes genéricas se espalham, menos existe diálogo sobre aquilo. Os "bons costumes" normalmente são os costumes de quem está no poder, de uma classe dominante, ou de uma maioria.
Não existem bons ou maus costumes. Apenas costumes que são aceitos pela maioria naquela fase da história.


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